28/05/2010
2 artigos retirados do blog NEI
Novos caminhos: como a indústria será afetada pelas políticas públicas de mudanças climáticas
Está sendo desenvolvida a regulamentação políticas públicas (nacional, estaduais e municipais) de mudanças climáticas através de medidas reais, mensuráveis e verificáveis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Isto ocorrerá de duas formas: i) através de metas de estabilização ou redução de emissões e ii) de metas de eficiência setoriais, tendo por base as emissões de gases de efeito estufa inventariadas para cada setor e parâmetros de eficiência que identifiquem, dentro de cada setor, padrões positivos de referência.
A pergunta não é “se”, mas “quando” e “quanto” a indústria será afetada pelas políticas públicas de mudanças climáticas. Como medida sensata de precaução as indústrias estão desenvolvendo uma melhor compreensão de suas emissões de GEE, analisando riscos e quantificando os custos e as diferentes medidas para reduzir o consumo de energia e emissões.
O Índice de Carbono Eficiente – ICE (BM&F Bovespa/BNDES) medirá a eficiência das emissões de GEE/ por receita gerada como unidade base das empresas de capital aberto, formado a partir do inventário de emissões de GEE. Será utilizado para ‘redefinir’ o peso das ações dentro do índice IBrX 50, afetando a liquidez das ações.
Novos financiamentos poderão ter novas condicionantes ainda não exigidas pelos Órgãos Ambientais, tais como a gestão de passivos ambiental-climáticos e a antecipação de compromissos de regularização.
As ecotaxas, incluindo os impostos sobre as emissões de carbono, são os tributos do futuro (cada vez mais próximo). O crescimento das despesas correntes do setor público (%PIB) levará inexoravelmente a um aumento da carga tributária pela criação de ecotaxas: serão estabelecidos preços e tarifas públicas, tributos e outras formas de cobrança por atividades emissoras de gases de efeito estufa.
Setores já descarbonizados ou que anteciparam suas reduções de emissão de GEE poderão até mesmo ser penalizados, onde o custo marginal de redução varia entre US$ 40,00 a US$ 200,00 t/CO2.
Algumas oportunidades estão em discussão: o fomento para reduções de emissões de gases de efeito estufa, ampliação do prazo de renovação de licenças ambientais, priorização e menores taxas de juros em financiamentos públicos, incentivos fiscais, criação de um mercado de permissões e revisão das políticas energética e fiscal para a conservação de energia e o aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética.
Como alternativas de atuação nesta frente de competição empresarial podemos liderar através de: i) possibilidades de reduzir custos e baixar preços incluindo receitas não-operacionais de créditos de carbono; ii) atuar com todas as forças em um segmento específico da nova economia de baixo carbono; iii) diferenciação com estratégias de nicho, criando algo único no mercado, ou que tenha baixa oferta e demanda maior que essa oferta.
Para alguns segmentos da indústria a redução de emissões de GEE será alcançada com melhorias tecnológicas contínuas, para outros através da diversidade tecnológica e em alguns casos somente com rupturas e revoluções tecnológicas frente a tecnologias inexistentes. Serão novos caminhos e um novo jeito de caminhar rumo à inovação e a competitividade industrial. A competitividade da indústria reside, portanto na capacidade sustentável de sobreviver e, de preferência, crescer nos mercados concorrentes ou em novos mercados numa economia de baixo carbono.
Decio Michellis Jr. - blog.nei.com.br - 13/05/2010
Eu produzo, você consome, nós poluímos!
A conjugação destes verbos expressa de forma mais abrangente a responsabilidade solidária pela poluição. Poluição conforme a lei que estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/91) é definida como "a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;..." e poluidor, "a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental...", ou seja, eu e você somos potencialmente poluidores do meio ambiente.
Só pelo simples fato de existirmos, estamos demandando recursos naturais, e boa parte deles não renováveis, bem como deixando um rastro de poluição nem sempre evidente. A este efeito se dá o nome de pegada ecológica.
Consumo consciente, redução, reuso e reciclagem parecem não ser suficientes. Somos bombardeados constantemente por prognósticos catastrofistas e anúncios de limites da capacidade de suporte da vida humana na terra. Igualmente se acirra os debates sobre uma pseudo "crise civilizatória do capitalismo e sua lógica sacrificial, predadora, racista e patriarcal... do direito a viver bem em contraposição ao principio econômico do crescimento contínuo".
Ideologias à parte ocorrem que todas as tentativas de fixar os limites de sustentabilidade da terra foram inexoravelmente frustradas. No máximo se consegue estimar os impactos futuros a luz das tecnologias e práticas presentes. Melhorias contínuas, rupturas e revoluções tecnológicas, culturais e socioeconômicas, tem sistematicamente elevado os limites da capacidade de suporte da vida humana no planeta.
Como consumidores precisamos considerar nas nossas escolhas (consumo consciente, a redução, o reuso e a reciclagem) a demanda indireta ou oculta de recursos naturais, com destaque sobre os não renováveis. Ou seja, considerar a energia, água, recursos minerais, transportes e processos produtivos e seus impactos no meio ambiente para orientar as nossas decisões de consumo.
Ferramentas como a Avaliação do Ciclo de Vida - ACV do produto (do berço ao túmulo) permitem não só a comparação de produtos, bem como a escolha mais responsável de fornecedores e pode subsidiar a indústria na identificação de oportunidades de melhoria, na rotulagem ambiental, no ecodesign, na comunicação (marketing verde) e também na formulação de políticas públicas.
Ao setor produtivo, incluindo as indústrias, se espera um comprometimento cada vez maior com a inovação e a competitividade não só econômica, mas também socioambiental. Isto se aplica inclusive a mercados mais conservadores como empresas de commodities e matérias-primas - com foco em baixo custo e grande escala. Precisamos de mais tecnologia, de novos modos de geração e distribuição de conhecimento, de regulação flexível, diversidade tecnológica, e aumento da capacidade de observação e aprendizado sobre impactos socioambientais das novas tecnologias.
Mais do que parecer, é importante ser sustentável e socioambientalmente responsável, tendo por objeto iniciativas cuja efetividade seja inquestionável.
A chave do sucesso está na adequada percepção da responsabilidade solidária pela poluição, na inovação, nas escolhas corretas, somadas a boa gestão, precaução e prevenção em uma sociedade cada vez mais global e interdependente, onde todos ganham: os negócios, o seu bolso e principalmente o planeta.
Decio Michellis Jr. - blog.nei.com.br - 12/04/2010