Plano Brasil 2022 propõe metas para o setor de energia elétrica
Documento prevê ações para ampliar participação da energia renovável e nuclear na matriz energética
12/07/2010
Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão
O Plano Brasil 2022, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, propõe metas para diversos setores da economia, inclusive para o de energia elétrica. Nessa área, são propostas algumas ações para aumentar o uso de energias renováveis na matriz energética, assim como a participação de centrais nucleares. Além disso, o plano propõe a ampliação da eficiência energética e a integração energética sul-americana.
No segmento de energias renováveis, o plano quer aumentar a participação dos componentes renováveis na matriz energética, elevando sua participação de 45,9% para 48,1%. Para atingir essas metas, segundo o documento, poderiam ser ampliados os usos do bagaço de cana de açúcar na cogeração, das eólicas e PCHs. O plano também estabelece como ação a expansão da geração hidrelétrica em 5,1 GW por ano até 2022. A interligação do Sistema Manaus-Macapá ao Sistema Interligado Nacional até 2012 também está incluída na proposta.
Outro ponto defendido pelo plano é a ampliação das centrais nucleares na matriz energética, com redução da dependência externa de urânio enriquecido. O documento pede investimentos em novas tecnologias que serão utilizadas nas usinas nucleares após a construção de Angra 3, com o objetivo de passar de 2 GW (Angra 1 e 2) para cerca de 4,4 GW, contabilizando Angra 3 e mais uma central.
A eficiência no uso da energia também é uma das metas do plano, que cita o desenvolvimento de leilões de eficiência energética, assim como a substituição de equipamentos elétricos por outros mais eficientes com a incorporação de avanços tecnológicos. Por último, o plano acredita no avanço da integração energética dos países sul-americanos, através da ampliação da interconexão elétrica com a Venezuela, Uruguai e Paraguai. Os projetos hidrelétricos da Eletrobras com o Peru e com a Argentina, com as hidrelétricas de Garabi e Panambi, também constam no documento.
O plano constata que, apesar dos avanços, o consumo per capita brasileiro de energia é ainda muito baixo: 1,3 toneladas de petróleo equivalente por habitante por ano, enquanto a média dos países da OCDE é de 4,6 tep/hab/ano.
No entanto, o documento foi alvo de críticas por parte do Greenpeace por não estabelecer metas de aumento da eficiência dos sistemas de geração, transmissão e também no consumo de energia elétrica. Além disso, para Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do órgão ambientalista, o plano mantém a política de construção de grandes hidrelétricas em regiões remotas e a dependência de linhas de transmissão de "milhares de quilômetros"para abastecer as principais atividades econômicas e as maiores cidades do país. "Se fala muito pouco em relação à eficiência das linhas de transmissão", reclamou.
O coordenador do Greenpeace criticou ainda a meta do governo de ampliar a participação das centrais nucleares na matriz e produzir mais urânio enriquecido. "Ainda não temos solução para o descarte do material radioativo. São precárias as condições de operacionalização nas minas de Ceitité (BA) que, praticamente sozinha, provê a produção do urânio brasileiro. Com todos os problemas de licenciamento de operação e [risco de] vazamento [de material radioativo], querer aumentar a capacidade dessa mina é realmente perigoso", afirmou Baitelo. Para ler o estudo na íntegra, cliqueaqui.
Com informações da Agência Brasil.